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Respirava montanhas e respingava morenezas em tudo que via, aquele homem de barro.
Lia alpendres à tardinha, comunicava ações às aves de rapina e, quando acordava, ninava o café na pequena cozinha de tirna e lembranças.
Quando a enxada chambocava a terra, mané de barro coloria as espigas sementeadas ainda nos grãos de milho
e descansava como um balaio de despensa, cheio de aguardos e cores novas.
Quando estava sozinha à noite, Maria punha os meninos na cama e costurava a noite, como se fosse um sapato de bebê.
A chuva penteava a tarde e dizia coisas nos ouvidos das açucenas.
elas se enamoravam da inocência líquida da água e diziam-se em paz com os selos da chuva que caía e ninava a noite.
Vários homens a caminho da olaria bicicletavam a estrada toda cheia de pedrinhas, miudinhas como dedo mindinho de menino recém-nascido.
Na cacimba profunda pairava água doce.
na casinha profunda flutuavam bebês, à espera do resgate da água
(da cacimba profunda).
Nas paredes de barro Zé do né se encostava e emprestava gentilezas, dentro da tarde cinzenta.
Ele sabia, o café não tardava e as casas de marimbondos se preparavam rápidas para suas histórias de trancoso.
Toda vez que a lenha estalava no fogo o cheiro de café gritava, acordando todo mundo.
Mulheres lavavam roupa no olho d’água, cantando a brancura que renascia.
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Poemas |


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Carlos Drumond de Andrade |
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